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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mascarás e a construção corporal

Tarefas que realizamos na prática com a mascará:


-Observar a si e as mascaras sentados;
-Diálogos sentados;
-Troco de mascarás sentados e mudo meu estado;
-Caminhar no espaço Juliano e Joanderson com as mascarás Bobão e Moça delicadinha toda inha;
-Roteiro:
Ocorre a interação entre os dois, até o bobão quer bolinar a moça inha, ficar de olho nela, ela pede para ele contar até 10 estimulando dizendo que vai tirar a roupa, quando chega no 10, quando entra a outra mascará a do irônico, metido.
Entrando a outra mascará triste que conta sobre a tristeza dela, que ela foi levada para o canto e que um homem pediu para ela pegar uma coisa.
O bobão sai de cena entrado a mascará velha que comenta que horror isso.
-Xanda curtiu a musica, Nelson Gonçalves- Hoje quem paga sou eu- interação das mascaras com a dança cada um em um estado;


Post por Tatiana Duarte

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Artigo em construção sobre a pesquisa do Qorpo Santo

Resolvi antes do ressesso de final de ano, escrever sobre nosso processo na pesquisa do novo espetáculo do Boca de Cena. Mostrei para o colega Joanderson Floriano, onde ele deu a ideia de fazermos um artigo, topei na hora. Com isso continuamos a nós falar por faceboock, onde íamos atualizando nossos textos e complementos parte da pesquisa. Ainda estamos em processo de maturação o artigo, já temos alguns fragmentos, aqui abaixo coloco parte dele.


A ESCOLHA DO AUTOR
A escolha deste autor se deve pela sua importância histórica, e pelo pensamento de vanguarda, há troca de personagens, mesmo estes se relatando a uma só pessoa e as diversas situações que este passa, são alguns pontos que chamam a atenção, de alguns de seus textos, pois isso fica implícito na obra. A maneira com que ele lida com a moral dos personagens é um deboche com os costumes conservadores da época.

“As pessoas que comprarem e quiserem levar à Cena qualquer das Minhas Comédias – podem; bem como fazerem quaisquer ligeiras alterações, corrigir erros, e algumas falhas, quer de composição, quer de impressão, que a mim por inumerosos estorvos foi impossível” (Qorpo Santo)

O autor José Joaquim de Campos Leão conhecido como Qorpo Santo, nascido na cidade de Triunfo localizada no estado no Rio Grande do Sul, escritor, vereador e delegado, transgressor e percussor do teatro do absurdo em sua época, tido como louco por sua ousadia internado por sua mulher, no século XIX.

O caráter estranho do teatro qorpo-santense faz com que suas peças fiquem esquecidas entre o fim do século XIX e a primeira metade do XX, não sendo conhecida nenhuma montagem de qualquer uma delas nesse período. Qorpo-Santo morre em 1883, sem nenhum reconhecimento do valor de sua obra. (Enciclopédia Itaú Cultural Teatro, Atualizado em 22/01/2009).

Com essa fundamental importância que o autor teve em seu período, nos faz refletir que seus textos ainda são contemporâneos, podendo nos permitir aprofundar as pesquisas de algumas de suas obras, que  consideramos ser um potencia e via de acesso para os personagens transitar como bem preferir, horas em um, horas em outro, como interpretamos em texto.

Post por Tatiana Duarte

sábado, 19 de outubro de 2013

Entrevista com André Masseno

Na segunda edição do Programa de Estudos em Performance (PEP) - projeto vencedor do Prêmio Açorianos de Dança 2012 - o performer carioca, André Masseno, que há 14 anos desenvolve espetáculos solos com o intuito de discutir as relações entre a arte, sexualidade e gênero, traz a Porto Alegre o espetáculo “ O Confete da Índia”

As alunas do curso de teatro e dança foram semana passada em Porto Alegre passar quatro dias em uma vivência com o ator, bailarino e performer André Masseno, onde experienciaram junto com outros pesquisadores estimulando a performance individual.


O espetáculo dialoga com a postura corporal do desbundante, arte e atitude contraculturais entre os decênios de 1960 e 1970, produzindo um jogo de deglutição e reprocessamento do alheio, gerando um acontecimento repleto de gestualidades, imagens e estados de presença que revisitam a experiência física do corpo –em –desbunde. Neste espetáculo, o desbunde é a experiência corporal do êxtase, quando o corpo se desloca para fora de si (ek – stasis) em direção a um estado de explosão e transbordamento.


A pesquisa do performer e sua composição é bem particular,  ministrou a oficina "Produção de Presença" parte do seu trabalho "Confete da Índia". Quem fez a entrevista do vídeo foram as alunas do curso da UFPEL, Cleyce Colins e Tatiana Duarte.



Índia seus cabelos
                           
E a doce meiguice desse seu olhar

Índia da pele morena

Tatiana Duarte

terça-feira, 9 de julho de 2013

Uma ideia para um teaser curto

Experimento de Stop Motion feito sem tripé
Voz: Tatiana Duarte
Material utilizado: folhas secas


Quer descobrir mais sobre a Nina? então clique aqui

Post por Lumilan Noda

terça-feira, 25 de junho de 2013

Apresentação do artigo "O Olhar do Outro e A Escuta de Si" no 14° Simpósio da International Brecht Society


O 14° Simpósio da International Brecht Society aconteceu em Porto Alegre em maio de 2013. A apresentação do artigo "Olhar do Outro e a Escuta de Si", autoria de Alexandra Dias, contou com demonstrações realizadas por Lumilan Noda e Tatiana Duarte e com o apoio técnico de Thiago Rodeghiero. O artigo apresenta as relações (eu as chamaria de "pontes") que o trabalho com A Gaivota, do Tchekhov nos fez perceber com nós mesmos durante o processo artístico do Olhar do Outro. 

Resumo:

DIAS, Alexandra Gonçalves. O olhar do outro e a escuta de si. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas; Professor Assistente. Performer, bailarina, professora.

Concebido a partir de um projeto de pesquisa que estuda os “elementos performativos”, o espetáculo Olhar do Outro, partiu de “A Gaivota” de Anton Tchekhov rumo a uma investigação que analisou possíveis abordagens para as relações entre cena, vídeo e cidade. Neste trajeto, navegou-se nas profundezas de Nina e Trepliov - figuras foco da composição - o que conduziu a uma inevitável reflexão sobre a condição do artista em um processo fundado na presença da proposição performativa autobiográfica. Ao exporem suas próprias questões, os atores envolvidos no trabalho, em conjunto com a diretora, permitiram-se uma aproximação mais íntima com o texto de Tchekhov exercendo a escuta aguçada de si como metodologia. Vibrante e atual, a “A Gaivota” impulsionou o processo autobiográfico gerando uma composição cênica que abarcou os desejos, angústias e imagens de sonhos, trazidos pelo grupo de atores formado por estudantes da UFPel. O espetáculo na rua foi concebido para ocupar a frente do histórico Theatro Sete de Abril na cidade de Pelotas/RS e que se encontra atualmente fechado. As tensões geradas pelo hífen vídeo-teatro-performance-cidade permaneceram presentes, pois através delas foi possível orquestrar as camadas que teceram a dramaturgia. Entretanto não se trata da busca por formas novas, mas, como nos ensina o próprio Trepliov, trata-se de deixar fluir livremente as intensidades que o próprio processo assim nos apresenta.

Palavras-chave: Performatividade: autobiografia: dramaturgia: A Gaivota.

Olhar do Outro é um espetáculo teatral que propõe uma dissolução das camadas entre teatro, performance, vídeo e internet. O trabalho híbrido nasceu dentro do projeto Boca de Cena, tomando forma em setembro de 2012.

Lumilan Noda

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Olhar do Outro e a Escuta de Si"

Diretora Alexandra Dias estará apresentando um artigo em POA sobre a pesquisa o "Olhar do Outro e a Escuta de Si" no Simpósio Brecht em 2013, junto com parte do grupo OLHAR O OUTRO, atores Lumilan Noda e Tatiana Duarte o técnico Thiago Rodeghiero também compõem o artigo criando videos para apresentação.

DIAS, Alexandra Gonçalves. O olhar do outro e a escuta de si. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas; Professor Assistente. Performer, bailarina, professora.

Concebido a partir de um projeto de pesquisa que estuda os “elementos performativos”, o espetáculo Olhar do Outro, partiu de “A Gaivota” de Anton Tchekhov rumo a uma investigação que analisou possíveis abordagens para as relações entre cena, vídeo e cidade. Neste trajeto, navegou-se nas profundezas de Nina e Trepliov - figuras foco da composição - o que conduziu a uma inevitável reflexão sobre a condição do artista em um processo fundado na presença da proposição performativa autobiográfica. Ao exporem suas próprias questões, os atores envolvidos no trabalho, em conjunto com a diretora, permitiram-se uma aproximação mais íntima com o texto de Tchekhov exercendo a escuta aguçada de si como metodologia. Vibrante e atual, a “A Gaivota” impulsionou o processo autobiográfico gerando uma composição cênica que abarcou os desejos, angústias e imagens de sonhos, trazidos pelo grupo de atores formado por estudantes da UFPel. O espetáculo na rua foi concebido para ocupar a frente do histórico Theatro Sete de Abril na cidade de Pelotas/RS e que se encontra atualmente fechado. As tensões geradas pelo hífen vídeo-teatro-performance-cidade permaneceram presentes, pois através delas foi possível orquestrar as camadas que teceram a dramaturgia. Entretanto não se trata da busca por formas novas, mas, como nos ensina o próprio Trepliov, trata-se de deixar fluir livremente as intensidades que o próprio processo assim nos apresenta.

Palavras-chave: Performatividade: autobiografia: dramaturgia: A Gaivota.



A criação do espetáculo "Olhar do Outro" se deu em parte com a diretora em gestação, e no dia da estéria do trabalho, que foi em frente ao Teatro Sete de Abril - Pelotas - RS que estava fechado há 3 anos, Alexandra deu a luz na quela noite da estréia. O bebê que desde a barriga já estava em contato com o teatro, em ensaios escutando nossa voz, corpos e processo criativo.

Post por Tatiana Duarte

terça-feira, 5 de março de 2013

Espetáculo "Olhar do Outro" selecionado para o 5° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre!

 O Olhar do Outro está entre os 19 grupos que se utilizarão dos espaços públicos da capital gaúcha como cenário no 5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, que acontecerá em abril. O grupo participará juntamente com companhias vindas da França e Espanha e também dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Ceará e Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Do espetáculo teatral atualmente fazem parte 6 integrantes do Projeto Boca de Cena (divididos entre elenco, equipe técnica e produção) além da diretora Alexandra Dias. O projeto Olhar do Outro está super feliz em participar deste evento.

                 Sobre a peça

Em cena, envolvidos pela atmosfera sensível e simbólica de “A Gaivota” há quatro atores que passam a revelar suas identificações com os personagens do livro de Tchekhov. Ao exporem suas próprias questões, os atores envolvidos neste trabalho permitem-se uma aproximação mais íntima com o texto. Desta forma, durante a peça há evidentes transições entre atores e personagens. Embora a dramaturgia traga para as cenas questões inerente à atividade do artista e, de certa forma, conduza o público à reflexão do que é ser ou “querer tornar-se” ator, ela ainda apresenta uma relação profunda entre as frustrações dos personagens de “A Gaivota” com as sutilezas emocionais que também fazem parte da realidade e do cotidiano dos atores envolvidos. Em “Olhar do Outro”, simbolicamente sonhos se apresentam através de projeções que revelam o sensível do artista. 


              Ficha técnica:
Direção: Alexandra Dias; Elenco: Ana Laura Barros Paiva, Juliano Bohn Gass, Lumilan Noda e Tatiana Duarte; Dramaturgia: O grupo a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov, de Rubens Figueiredo e de “Os Filhos de Kennedy” de Robert Patrick; Concepção e operação de luz: Tatiana Sato; Cenário: Alexandra Dias; Figurino: O grupo e Larissa Martins; Costureira: Larissa Martins; Trilha sonora original e Vídeos: Thiago Rodeghiero.


Sobre a criação
"O projeto Olhar do Outro foi concebido como um trabalho de pesquisa que partiu de “A Gaivota” de Anton Tchekhov rumo a uma investigação de caráter interdisciplinar, buscando uma possível abordagem para a relação cena, cidade e vídeo-projeção. Neste trajeto, navegamos nas profundezas de Nina, Trepliov e Arkádina – figuras foco desta composição – o que nos conduziu a uma inevitável reflexão sobre a condição do artista."  
"O espetáculo “Olhar do Outro” busca estabelecer a reflexão sobre aspectos interdisciplinares da criação em arte. Visa, portanto, problematizar o desejo das artes contemporâneas em diluir suas fronteiras. Desta forma, trata-se de uma proposta que foi gerada a partir de uma pesquisa interdisciplinar onde se pretendeu estudar as conexões entre o fazer teatral e o vídeo como suporte."


Confira a lista dos grupos selecionados:


 5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre

Post por Lumilan Noda

domingo, 3 de março de 2013

Performance na Casa da Alice II


Estou pesquisando, dentro do projeto "Olhar do Outro", a arte da performance. Eu Tatiana Duarte junto com Lumilan Noda iremos apresentar uma performance que está em processo. E vamos apresentar terça no evento CASA DA ALICE II, na Andrade Neves às 19h.


Dois atores-performers, Lumilan Noda e Tatiana Duarte, pesquisadores sobre o desconforto e o risco para a cena. Nesta performance um dos atos que sugere o desconforto para nós está em falar sem parar de falar, ação que veio de uma catarse de cura. Ela foi inspirada num processo aonde fomos condicionados a falar, mesmo sem vontade ou mesmo sem qualquer conteúdo. Vamos propor uma junção destas duas formas de desconforto e risco para realizar a nossa ação.

Com uma fixação da Tatiana por tecidos/panos, vimos um vídeo da performer Yokoo, onde ela deixa que os espectadores contem suas roupas. Ficamos intrigados em investigar até que ponto deixamos que a matéria se vá, pensamos nisto e queremos experimentar essas relações no corpo e na roupa como matéria, aonde vamos cortar um a roupa do outro.


Outras referências: 

Post por Tatiana Duarte

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A palavra engolida: um estímulo à ação performática


"Palavras que merecem naturalmente seguir o fluxo da expressão, mas que, por alguma circunstância desconhecida, acham um jeito de se esconder."

Naquela tarde eu e a Tatiana já sabíamos, em parte, os exercícios que iríamos nos submeter no palco do Teatro do COP, pois, uma semana antes, na minha casa, conversamos e os definimos: falar por 30 minutos seria um dos jogos principais. E assim foi, iniciamos caminhando pelo espaço de jogo, nos percebendo e percebendo o espaço como um todo, sentindo as tábuas nos pés e os pés nas tábuas, os diferentes sons que os pés pisando nas tábuas causavam, os rasantes baixos que os morcegos davam em nós e, o mais importante, nos mantemos olhando nos olhos um do outro, durante todos os instantes em que isso fosse possível. 

Ativamos o despertador para soar quando dessem 30 minutos e começamos com aquela tarefa aparentemente simples e cotidiana para muitas pessoas: falar! Os assuntos aconteceram aleatórios, pelo menos pra mim, porque a preocupação maior (já que era regra do nosso jogo) se mantinha em falar sem parar, "o quê", não importava. Eu não fazia ideia do que a Tati falava porque minha concentração estava em ter o que dizer. Por vezes, o meu assunto parecia que estava acabando, e, não sabendo sobre o que eu falaria depois, usei exatamente isso como fala, o que desencadeou mais e mais assunto, assim, espontaneamente.

Em certo momento, já estávamos tão habituados àquela experiência que conseguimos um entrar no assunto do outro. Podíamos com eficácia compreender um o que o outro dizia sem que, para isso, precisássemos nos silenciar. A Tati sem interromper o jogo me convidou para dar a volta na quadra e o fizemos: além de dialogar entre nós, observamos o estranhamento óbvio das pessoas que cruzavam por nós e comentamos isso verbalmente. Falei tanta coisa, até coisas que, em momentos da minha vida, queria ter falado, julguei muitíssimo importante ter dito e, por conta de alguma coisa - talvez até timidez - não falei.

Este processo também me faz questionar isso: quantas coisas essenciais, em vez de dizer, as pessoas não "engolem" por recear as reações do ouvinte. Penso nas expressões artísticas (principalmente música, pintura e teatro) que já falaram tantas coisas por mim e como isso me deixou mais aliviado, de certa forma. Ou quando eu dirigi Fim de Partida, de Beckett, em Encenação I, o quanto os atores expressaram bem o modo como eu, às vezes, sinto a vida.

Eu torço pra que esse processo de criação cênica ao qual eu e a Tati estamos nos inserindo agora, ao chegar no seu produto final, possa não apenas falar por mim e por ela, mas principalmente por todos aqueles que, alguma vez na vida, já passaram por isso. E assim, como toda pesquisa teatral, por intermédio de nossa sincera entrega vem se constituindo um novo material de trabalho, cada vez mais consistente e a cada encontro mais fluidamente. Poderá gerar um ato performático (se é que o próprio exercício já não foi) ou uma cena, ou cenas em que a performance, na sua essência e característica, esteja presente.

Lumilan Noda Vieira

sábado, 10 de novembro de 2012

Relato sobre a oficina "Corpos Intuitivos"


Embora de uns tempos pra cá eu tenha me interessado bastante pelo universo dos sonhos - pois o texto "A Gaivota", com o qual trabalho, aborda um pouco isso  - ainda não havia presenciado, e muito menos tido a oportunidade, de participar de uma oficina como esta que a Tatiana Duarte nos ministrou há duas semanas.
 
Através disso nos submetemos a práticas específicas em que usávamos os nossos próprios sonhos, num processo único de construção criativa. Geramos, com isso, materiais para a cena teatral ou até mesmo para outros trabalhos em arte, de forma que estávamos livres para nos apropriarnos da forma que quiséssemos de algo que, no fundo, sempre foi nosso.
 
Fizeram parte da oficina uma sequência que foi desde aquecimento, observação de imagens de Salvador Dali, movimentação livre inspirados por essas imagens, utilização da voz, exercícios energéticos, escrita textual intuitiva, contação dos sonhos e representação corporal de cada um desses sonhos.


O exercício com as imagens: acessando uma matriz
 
Durante a parte em que estávamos nos expressando corporal e livremente pelo espaço do tablado, havia várias imagens impressas em folhas de papel, expostas no chão. Eram imagens surrealistas do
Salvador Dali. Nisso, a Tati nos orientou para que deixássemos ser atravessados por essas imagens, isto é, que nos permitíssemos associá-las às movimentações nossas que fossem surgindo. Dado certo tempo submersos nesse exercício, sem interrupções ela nos orientou para que deixássemos que o corpo emitisse sons que os movimentos pedissem.

Com isso, comecei a soltar uns sons meio anasalados mas ainda não senti que fossem naturais, até que, inspirado por uma imagem que parecia ser uma foto do próprio Salvador Dali, passei para uma movimentação espontânea que enfim  me proporcionou uma sensação interna muito diferente do que estou acostumado a sentir, esta era dotada de uma força interna não racionalizada.

Nisso deixei o corpo se expressar vocalmente. Aqueles sons que eu emiti eram como se fossem falas, uma espécie de blablação que mais parecia um outro idioma; era uma voz meio enrouquecida que, quando expressa, simultaneamente meu corpo reagia tremulando. Naquele momento, percebendo que um material interessante estava vindo, segui explorando aquele movimento e sons por mais alguns minutos. No final da oficina, comentei com os colegas que tive uma sensação de reconhecimento daquela voz e sensação, me remetia a alguem mais velho, que resmungava alguma coisa. E que queria voltar a fazer este exercício para acessar aquilo novamente.

Através dos estímulos externos e internos atingimos uma cadama mais interior do nosso ser, expondo materiais ricos para criação cênica. A exemplo disso, saí pensando na construção de um personagem ativado por aquela matriz que acessei na oficina. Fiquei pensando bastante sobre as possibilidades para a cena através desse método e sugerí a Tatiana que, mais adiante, retomássemos a oficina mais uma vez. Acho que o que fizemos foi resgatar uma simbologia interna contida dentro de nós e transpô-la para a cena.

Lumilan Noda

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

“Corpos Intuitivos” sonhos como processo para criação

A equipe do projeto participou da oficina “Corpos Intuitivos” ministrada por mim. Esta oficina foi criada a partir de alguns exercícios do workshop que recebi em Santa Maria, "DO BIGODE DE DALI: O SONHO E A MATERIALIZAÇÃO DE FORMAS INCONSCIENTES NO PROCESSO DE CRIAÇÃO CÊNICA", ministrada por Juliana Ferrari, e mais outros exercícios que venho pesquisando:


- Repassando os exercícios que mais chamaram a atenção;
- Utilizei imagens do Salvador Dalí na criação de matrizes;
- Explorando um corpo que desperta a consciência  interna através de movimentos que ativam o jogo para criação.

Em nossa pesquisa foi interessante a troca de conhecimento, pois em nosso projeto temos focado a troca de experiencia com o grupo.


Relatos dos participantes:

"Adorei os resultados físicos deste trabalho, meu corpo respondeu de uma forma que eu nem imaginava que era possível, todos os espasmos e contrações involuntárias foram acontecendo e eu as deixei fluir." - Thiago Rodeghiero
 

"Posso dizer que minha experiência com a oficina foi muito boa e produtiva, pois pude quebrar várias “barreiras” pessoais e ter a oportunidade de conhecer e fazer coisas novas.
Na parte de liberação dos pontos de chacras, eu não tinha controle sobre meu corpo. Por mais que eu quisesse ficar em determinada posição, meu corpo respondia a outra coisa, fazendo-me perceber que eu não tenho controle absoluto sobre ele e tornando o exercício mais complicado. Meu corpo tremia, minha respiração ficava alterada, havia certa momentos que eu me esquecia de determinados membros (do corpo), focando-me apenas naquele que o exercício pedia, enfim, foi uma experiência de sensações diferentes." - Tatiana Sato


"Sempre a oportunidade de algo novo e diferente é legal, principalmente quando é uma experiência de uma outra área. Foi uma oportunidade bem divertida, mesmo cansativa, de conhecer mais como funcionam os processos da galera de teatro e dança." - Eduardo Souza


Post por Tatiana Duarte.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Espetáculo "Olhar do Outro" Recebe Crítica Teatral


Foto de divulgação do espetáculo Olhar do Outro

"Hibridismo, ousadia e arte tendo o teatro como cenário e contexto"
Por Vagner Vargas


No dia 14 de setembro de 2012, os atores Ana Laura Barros Paiva, Lumilan Noda, Tai Fernandes e Tatiana Duarte, apresentaram o espetáculo “Olhar do Outro” em frente ao Theatro Sete de Abril. Já que o único teatro público da cidade de Pelotas está fechado, o grupo aproveitou a oportunidade para levar o seu trabalho para a rua, utilizando a fachada do prédio como seu cenário e o fazer artístico como mote de suas discussões.

Tendo o texto “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, como referencial inicial de pesquisa, a diretora Alexandra Dias nos propõe um espetáculo que dialoga com outras linguagens artísticas, rompendo com as barreiras limitantes entre as diversas artes. Além do texto do escritor russo, o grupo utilizou textos de Rubens Figueiredo e Robert Patrick para compor a dramaturgia do espetáculo. Além disso, a história era costurada por momentos, relatos e vivências pessoais de cada ator, dialogando com as passagens textuais dessas obras literárias, com o intuito de refletirem sobre o fazer teatral e a condição do artista no mundo contemporâneo.

Com um caráter de intervenção cênica no espaço público da cidade, o grupo propõe aos espectadores, além de outras abordagens, a discussão sobre qual o papel e o lugar do ator na sociedade. Essas reflexões acabavam sendo potencializadas pelo fato de estarmos assistindo a todos esses fatos, tendo como cenário de fundo um belo teatro, construído no século XIX, que hoje permanece fechado e representando o descaso que as artes cênicas sofrem nas políticas atuais.

O trabalho que os atores tiveram em se expor da maneira corajosa como fizeram, desvelando suas fraquezas pessoais, propiciou aos espectadores uma aproximação de histórias de vida que se identificam com os conflitos dos personagens literários. Esse tipo de diálogo entre ficção e realidade, relatos pessoais e textos dramatúrgicos vem sendo utilizado em diversos trabalhos artísticos que desejam desassossegar o espectador do seu olhar viciado nas estruturas formais e tradicionais das artes. Essas propostas além de oferecem ao público uma relação mais próxima com o contexto representado, lhe fomentam uma percepção diferenciada, um outro modo de encarar e se relacionar com os mais diversos tipos de situações que acontecem a sua volta.

Nesse sentido, muitas vezes um espetáculo não precisa de palavras e expressões textuais, uma vez que suas imagens podem dar vazão a uma série de abordagens e os artistas não necessitam delimitá-las dentro de um contexto definido. Por esse motivo, a opção pode ser pela exposição dessas imagens e deixá-las para que o público vá compondo os espaços lacunares, conforme é tocado naquele momento.

Sendo assim, o trabalho em questão nos expôs uma série de imagens lindas, não apenas nas projeções, mas também na movimentação dos atores e na maneira como eles se relacionavam com todos os signos que estavam ali sendo expostos. Desse modo, não posso deixar de elogiar a maneira como o grupo se apropriou e re-significou alguns quadros surrealistas, do pintor belga René Magritte, brindando a plateia com outras possibilidades de leituras daquelas obras e do peso que essas imagens imprimiam no contexto do espetáculo.

O figurino elaborado por Larissa Martins vinha muito ao encontro do contexto da peça do dramaturgo russo. Mas, além disso, os trajes extremamente belos, elegantes e bem acabados já nos chamavam a atenção no início do espetáculo quando os atores vinham chegando à esplanada em frente ao teatro. Nesse momento, poderíamos traçar relações sobre a tradição histórica que a população dessa cidade tinha em se vestir bem para ir ao teatro durante o século XIX e início do século XX. Porém, agora, essas pessoas disporiam apenas do espaço ao ar livre para apreciar o espetáculo. Apesar dessa relação textual e da percepção crítica sobre a situação, os figurinos também dialogavam com as obras do artista belga utilizado como referência e estavam extremamente adaptados à funcionalidade cênica de que havia necessidade.

A trilha sonora original e os vídeos de Thiago Rodeghiero compunham um ambiente no qual, ao mesmo tempo em que intervinham na paisagem urbana com as projeções, traziam o foco cênico para as discussões que os atores estavam propondo. A polifonia de informações da performance era sublinhada e ressaltada pelas projeções muito pertinentes que ajudavam a ampliar o leque de leitura das imagens apresentadas. Além disso, o crédito e êxito das projeções também se devem ao fato de fugirem do lugar comum e simplista que vemos em algumas peças de teatro. A utilização de filmagem e projeção ao vivo também foi muito interessante para os espectadores observarem o diálogo entre duas linguagens, enquanto a atriz Tatiana Duarte apresentava um dos textos mais lindos e difíceis de “A Gaivota”.

A maquiagem utilizada pelo grupo foi muito adequada ao contexto da concepção de encenação e à luminosidade que teriam nessa apresentação na rua. A iluminação de Juliano Bonh Gass fez mágica e mostrou muita criatividade para adaptar os recursos técnicos para um local ao ar livre que não dispõe de estrutura técnica para apresentações teatrais à noite. Nesse sentido, todos os recursos foram muito bem utilizados colaborando para a ambientação e contexto cênico.

O elenco inteiro está de parabéns pelas suas atuações. Mesmo sendo atores tão jovens, trabalhando em um espetáculo em que a performance se direciona à multiplicidade de imagens que compõem à plasticidade cênica, conseguiram trazer seus universos pessoais para a identificação dos conflitos das personagens daquelas histórias. Além disso, apesar das adversidades, os atores conseguiram segurar o espetáculo, mesmo sofrendo interferências desagradáveis de delinquentes que tentaram prejudicar a apresentação.

Mais uma vez, sou obrigado a falar da falta de educação de algumas pessoas em relação aos espetáculos que são apresentados em Pelotas. Nesse caso, por ser uma performance ao ar livre, os artistas já sabem que estarão expostos a quaisquer adversidades que possam vir a acontecer. Entretanto, isso não justifica que algumas pessoas se julguem donas do espaço público e se outorguem o direito de agredirem não apenas quem está se apresentando, como também quem está assistindo àquela obra.

O fato em questão se refere a mais de uma dúzia de jovens que estavam naquele local e não queriam permitir que houvesse uma apresentação teatral naquele espaço, pois desejavam utilizá-lo para dançar e cantar rap e hip hop. Em primeiro lugar, a Praça Cel. Pedro Osório é um espaço imenso e essas pessoas poderiam ter ido se expressar em outro ponto da praça, uma vez que o grupo de atores possuía liberação da prefeitura para apresentar o espetáculo naquele local, ou, simplesmente, se sentarem e apreciarem o evento. Além disso, a quantidade de bebidas alcoólicas que aqueles jovens faziam questão de mostrar que estavam ingerindo, não nos ilustrava que o seu intuito era apenas de expressar as suas músicas.

Não foram poucas as vezes que eles gritaram e tentaram atrapalhar a encenação, dizendo que queriam rap e se utilizavam do fato desse tipo de expressão estar associada às pessoas de classe social menos favorecida para tentarem intimidar a plateia a não reclamar. Acredito que seja muito fácil e cômodo se colocar no lugar e no papel de injustiçado quando não se respeita o espaço dos outros. Pela quantidade de bebidas alcoólicas que passavam de mão em mão e as dimensões espaciais da praça, também não acredito que aqueles jovens estivessem apenas com o intuito de se relacionarem com a arte. Antes de tudo, se desejam ter o seu espaço, precisam saber respeitar o olhar do outro em querer desfrutar de outras expressões artísticas.

Apesar de a plateia ter presenteado esses jovens com a indiferença, para que pudessem assistir ao espetáculo, financiado pelo poder público, acredito que os espectadores pelotenses não possam continuar sendo expostos a esse tipo de situação nas apresentações ao ar livre. Sendo assim, saliento o meu protesto quanto à ausência de guardas municipais e/ou da brigada militar durante o evento.

Essa interferência foi tirada de letra pelo grupo de artistas e acabou se tornando apenas mais um ruído desagradável que vinha de fora do ambiente cênico. Mas, em nada afetaram à qualidade do trabalho que ali foi apresentado.
Portanto, considero que a proposta trazida em “Olhar do Outro” seja de grande valia para as discussões do papel dos atores na nossa cidade e da maneira como as políticas culturais não vêem tendo a devida importância nesse município. Nesse sentido, espero que o grupo ainda possa apresentar esse espetáculo, de maneira segura, em outras ocasiões para que mais pessoas possam ter contato com esse diálogo híbrido entre as artes.


Fonte: CCETP
DRT – Ator – 6606 – Crítico Teatral.
vagnervarg@yahoo.com.br 


Postado por Lumilan Noda

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fêmeo - Parte II


Vídeodança sobre o feminino, com a inspiração na obra "O Grito" de Edvard Munch.
Direção Coreográfica e Montagem - Tatiana Duarte
Direção de Vídeo e Finalização - Thiago Rodeghiero

sábado, 6 de agosto de 2011

Festival de Inverno de Pelotas


   O FESTIVAL DE INVERNO DE PELOTAS é um evento multiartístico que acontecerá em agosto de 2012, ano em que a cidade completará 200 anos de fundação.
Com o propósito de apresentar o FESTIVAL DE INVERNO DE PELOTAS à cidade, o evento terá uma Edição de Lançamento entre 05 e 10 de agosto de 2011.
   Tendo como referência Festivais de Inverno como os de Cantareira (SP), Bonito (MS), Ouro Preto e Mariana (MG), Garanhuns (PE) e Teresópolis (RJ), o FESTIVAL DE INVERNO DE PELOTAS previlegiará o ecletismo de expressões artísticas e culturais em diferentes espaços da cidade. 
   Encerrando a programação da Edição de Lançamento do FESTIVAL DE INVERNO DE PELOTAS,dia 10 de agosto, contará com a apresentação da esquete do Grupo "Teatro em forma", apresentando "ASSINATURA DE CONTRATO" uma livre adptação do texto A gaivota de Anton Tchekhov.

Direção de Tatiana Duarte
Elenco: Tai Fernandes e Martha Grill
Iluminação: Thiago Rodeghiero

   Para o esquete, a entrada é FRANCA. Quem quiser curtir a noite rock n' roll, com a banda "Mato Cerrado" pagara antecipados 5,00 com os integrantes ou no Posto Cidadão. 

Postado por Tatiana Duarte

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O público lotou a Sala Preta no último sábado

Assinatura de Contrato
   No último sábado (11) o público compareceu na Sala Preta em peso para ver as apresentações de duas montagens: "Assinatura de Contrato" e "Fim de Partida", encenadas, respectivamente, pelos acadêmicos do curso de Teatro Tatiana Duarte e Lumilan Noda. 

   O pequeno espaço, na Tamandaré 275, não foi motivo para desânimo dos espectadores que, para não perder nada, sentaram-se distribuídos até pelo chão. As peças foram resultados dos trabalhos desenvolvidos na disciplina Encenação Teatral I (do 5º semestre), que tem Daniel Furtado como professor. Às 19h30min, pontualmente, dava-se então inicio a apresentação da primeira esquete, com duração de 20 minutos (tempo máximo estipulado pelo professor) e, ao término do primeiro trabalho, um coffe-break de meia hora confraternizava o pessoal enquanto  os atores  de "Fim de Partida" se preparavam para entrar em cena. 

   "Assinatura de Contrato" trouxe em si características da metalinguagem por abordar o teatro dentro do próprio teatro, tendo como ponto de partida da diretora os textos A Gaivota de Anton Tchekov e A Metamorfose de Franz Kafka. Na peça, os desafios de uma atriz dotada de conflitos internos. No elenco estavam Martha Grill e Tai Fernandes.

Fim de Partida - Foto por Júnior Martins
   Já "Fim de Partida" trouxe uma atmosfera diferente à da peça anterior, levando ao público 20 minutos de um universo que trata sobre a relação mecânica e degradável existente entre quatro personagens que vivem juntos, e que foi adquirida inconscientemente ao longo dos tempos. No elenco Dionata Lopes, Everton Mariano, Ingrid Duarte e Livia Soares. 

   Ao final das apresentações, como de costume, o professor Daniel Furtado abriu espaço para o debate construtivo dos espectadores com os encenadores. A conversa, de importância para os alunos, durou cerca de 40 minutos.

   O Boca de Cena estará divulgando as próximas apresentações da disciplina (pois ainda não terminaram), por isso fique atento ao blog, facebook e twitter para poder ficar a par dos próximos trabalhos teatrais!


 Postado por Lumilan Noda

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O erro também faz parte do aprendizado

Um dos meus objetivos de pesquisa de atriz é me voltar para o experimentalismo multimídia e as possibilidades que este pode trazer para a minha pesquisa. No projeto BOCA DE CENA nós capturamos, editamos, entrevistamos, criamos, experimentamos e manipulamos diversos tipos de mídias.
Um dos objetivos do projeto é a possibilidade de aprendermos a documentar, e com isso vou poder documentar meus trabalhos também, tendo um grande registro dos meus trabalhor por menor que ele seja, e com isso me alto analizar. Posso também usar essas mídias como elemento expressivo do meu trabalho, realizando um grande laboratório sobre essas novas possibilidades. Temos que experimentar mesmo que seja difícil. No meu caso, por exemplo, percebi que ficava mais inibida na frente das câmeras. Com isso fiz uma auto avaliação do porque deste receio. Então cheguei à seguinte conclusão: quando errava perante a câmera sabia que o trabalho ficaria registrado e isso me incomodava, mas o pior é que, quanto mais ficava preocupada com essa auto crítica, mais eu errava. Com isso decidi relaxar e não ser tão rígida comigo, posso e devo errar, o erro faz parte de um bom aprendizado.