Hoje tive um sonho que me deu saudades do espetáculo “Olhar do Outro”. Lembro-me de fragmentos e neste estava viajando em outra cidade, nesta cidade eu não conhecia ninguém, e estava em um bar quando pedi coisas para comer eu não tinha dinheiro para pagar. Foi quando decidi começar a me apresentar ao garçom, comecei com os espasmos até cair no chão e começar a falar o texto que era na língua local: grego. Não sem como falei mas no sonho era muito claro e definido o texto, continuei a sonhar que entrava em uma sala onde tinha vários colares com formatos e cores diferentes, o local era onde ficava os funcionário do bar, me levaram lá depois que eu tinha encenado para eles me dizendo que eu podia dormir e fica por aqui até recuperar minha bolsa.
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Sonhos que me atravessam "solos"
Imagem de Gugu Portugal
Hoje tive um sonho sobre meu solo no espetáculo Olhar do Outro.
Sonhei que um professor que não sei quem era, queriam assistir um solo em aula, que cada um da turma teria que apresentar, apresentar qualquer solo que tivéssemos.
Eu disse – Posso ser a primeira a apresentar.
Imagem João Bosco B.
(Sai para ir me arrumar, o estranho que eu estava toda de preto com meias rosa, levava comigo um caderno e canetas).
No banheiro encontrei uma guria, que não sei quem era e comecei a falar com ela coisa quaisquer, comecei a ficar nervosa, e fiquei enrolando com perguntas e situações para não apresentar mais.
E me perguntava: -Porque disse que seria a primeira a apresentar. Quando o certo deveria era me assassinar, motivo esse que me deixe viva, mesmo morta.
Não queria ensaiar pois poderia perder o impacto de sentir as coisas, então fiz um lista de coisa mentalmente de como meu corpo se transforma e se deixa transformar pelas ações de espasmos e cansaço e acordei. Se apresentei foi mentalmente para mim mesma.
Imagem de Thiago Rodeghiero
Post por Tatiana Duarte
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
"Olhar do Outro" em Herval
Na última quarta-feira, 20-11, o espetáculo olhar do Outro esteve participando da 1ª Semana de Cultura de Herval, onde ocorreram varias apresentações artísticas, como por exemplo dança, musica, teatro, exposição de artesanato local, oficinas e palestras para a população.
Nós do Olhar do Outro/Boca de Cena, fomos abençoados com uma apresentação maravilhosa. Com o CTG Minuano praticamente lotado a cada cena que passava recebíamos aplausos de todos. Foi uma troca de energia muito boa. O publico foi muito receptivo e atencioso.
Pela tarde do mesmo dia ministramos nossa oficina para uma turma de 20 alunos da escola da cidade, onde mostramos um pouco do nosso processo e os meios que utilizamos para a criação de cenas e interações com o vídeo.
(mais fotos a seguir)
Por Juliano Bgass
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Crítica mirim do "Olhar do Outro"
Relato de uma menina de 4 anos, filha de uma amiga, que viu a peça no Lyceu. Nosso público mais jovem foi de 04 anos, Setlla, filha de Domenica Ortiz, professora de arte e com formação em arte visuais pela FURG, assistiu a Peça “Olhar do Outro”, junto de sua mãe quem relatou a experiência da filha sobre o espetáculo.
"Nenhum momento ela pediu pra sair, acompanhou com a cabecinha, e com os olhinhos. Ela é pequena e é difícil expressar como para ela foi interessante o que ela viu, apesar de não ter entendido, por ser algo pra adultos. Mas ela curtiu as escadas, a dinâmica dos atores, ela acompanhava o que cada um dizia, quando um falava e depois outro, ela se virava pra ver e acompanhava com a cabecinha, bem atenta as ações. Então ela realmente estava interessada estava prestando atenção, se não ela ficaria no chão entediada. Se emocionou com o solo no final inclusive com os espasmos, porque foi a única vez que falou foi no meu ouvido pra perguntar se a Tatiana estava bem. Eu tive que dizer que era de faz de conta e ai ela se tranquilizou.
Adorou as escadas, as lanternas, a moças no alto com aquele vestidão. Em casa ela queria imitar, queria que eu conseguisse um vestido grandão como aquele para ela subir na escada."
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Estudo sobre o "Duplo" de ARTAUD
De férias na casa do Cassino, escutando o barulho do mar para inspirar meus estudos na arte da cena reli “O Teatro e Seu Duplo” de Antonin Artaud. No decorrer da leitura me chamou atenção alguns trechos que irei colocar aqui como reflexão sobre minha pesquisa no “Olhar do Outro” e fazer conexões com as ideias de Artaud.
Descrevendo a apresentação do teatro da Balli, Artaud faz referência na expressão e gestualidade do espetáculo, principalmente das mulheres, ele descreve que no ato do espetáculo a face dessas absorvem e exprime poética, um exemplo disso é o trecho a baixo:
“O olho de sonho que parece nos absorver e diante do qual nós mesmo parecemos fantasmas”
“...de um estado de espírito faz um gesto, ...”
“...tempestade física...”
Em meu fragmento do espetáculo "Olhar do Outro", onde em meio aos espasmos físicos e imobilidade de ações sobre um jorro do texto e a potência da voz e da respiração ativando no momento da apresentação reflito sobre meus estados em cena e como posso fazer links com essa leitura, acrescentando os mesmo em minha pesquisa e agrupando os conhecimentos do duplo em que Artaud se refere à cena.
Mais um trecho do texto onde percebo as ligações da nossa pesquisa:
“A questão da respiração é de fato primordial, ela é inversamente proporcional a importância da apresentação exterior. Quanto mais a respiração é sóbria e contida, mais a representação é ampla e dessa, substancial, sobrecarregada de reflexos”. (ARTAUD, Antonin, pag.: 152)
“É possível ver esse espectro de alma como intoxicado pelos gritos que ele propaga, e se não fosse assim, a que corresponderiam os mantras hindus, a consonância, as acentuações mistérios, em que o subterrâneo material da alma, acuado em seus covis, vem contas seus segredos á luz do dia”. (ARTAUD, Antonin, pag.: 153)
“Saber que existe uma saída corporal para a alma permite alcançar essa alma num sentindo inverso e reencontrar o ser através de uma espécie de análogos matemáticos” (ARTAUD, Antonin, pag.: 154)
por Tatiana Duarte
sábado, 31 de agosto de 2013
Boca de Cena em 2013 – Impressões, Expressões e Criatividade
O ano de 2013 foi um período construtivo e de troca de conhecimentos dentro do projeto Boca de Cena e além. Muito disso, deu-se em virtude de termos compartilhado com dez escolas públicas de Pelotas os seguintes trabalhos: espetáculo Olhar do Outro e oficina Cena e Vídeo. Desse modo, pudemos estabelecer, com as comunidades escolares, uma experiência mútua de maior amplitude e proximidade em comparação aos anos anteriores.
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| Boca de Cena na escola Félix da Cunha |
Apresentar a peça Olhar do Outro para turmas de ensino médio foi uma oportunidade rica no sentido de que nos foi dado espaço para, ao final da peça, abrirmos para perguntas, escutá-las e respondê-las, pois o tempo era propício a isso. Assim, os alunos aproveitaram para nos questionar sobre o processo de criação de algumas cenas. Através dos comentários deles, pude sentir também um pouco de como estavam se dando as identificações deles com as nossas histórias ali representadas: “Eu me identifiquei muito com a peça, eu sou músico também” disse-me um dos alunos da escola Félix da Cunha, cujos olhos brilhavam ao fim do espetáculo. Outro comentário, do qual também gosto de relembrar, foi feito por um estudante da escola Assis Brasil e postado pela Tatiana Duarte no blog do projeto:
Gostei do fato de o personagem Trepliov ser inspirado em outra peça. Faz você se sentir triste pela música tocada pela flauta e pela história triste de Trepliov. É um escritor que faz uma peça e fracassa já na estreia e é detestada pelo público e por pessoas que ele mesmo ama. (expressado por Arthur Martins)
Através dos diferentes pontos de vista expressados pelas turmas durante o espaço para perguntas, pude perceber a sensibilidade contida no olhar dos espectadores adolescentes. A oficina Cena e Vídeo, a qual nós ministramos ao final da peça, fez desse encontro entre atores e espectadores um momento único de confraternização e de troca. Através dela, compartilhamos processos de criação envolvendo a linguagem interdisciplinar entre teatro e vídeo, muito semelhantes aos nossos para a criação da peça. Desse modo, o que antes eram conteúdos interdisciplinares de criação compartilhados somente através do blog, tornou-se uma experiência presencial e viva.
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| Oficina Cena e Vídeo |
Simultaneamente às apresentações e oficinas, produzimos os vídeos elaborados para serem inseridos em um novo trabalho de caráter interdisciplinar. Antes foi Tchekhov quem nos conduziu à criação do Olhar do Outro. Desta vez, um autor gaúcho nos saltou aos olhos e foi o escolhido para nos trazer inspiração: Qorpo Santo. Dentro do projeto, o modo livre de nos apropriarmos de um texto poético faz com que diversas possibilidades de encenação venham à tona. Assim sendo, o material produzido partiu do imaginário de todos os integrantes em consenso. Porém, uma das características mais interessantes foi que, no decorrer desse processo, alguns princípios de ideias diferentes se misturaram, dando origem a novos vídeos. Instaurou-se uma união de ideias somada a interdisciplinaridade de linguagens.
As propostas realizadas, algumas por Alexandra Dias, outras por Thiago Rodeghiero, nos levaram à criação de uma metodologia multidisciplinar e una de compartilhamento das linguagens do teatro e do cinema. A troca com a comunidade escolar, por ter acontecido de maneira tão próxima e direta, obteve resultados nítidos de satisfação. Como aluno e pesquisador, considero que as práticas realizadas através do projeto Boca de Cena contribuem enormemente à minha formação pessoal e artística.
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| No colégio Assis Brasil |
Postado por Lumilan
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Bem me quer... Mal me quer
Uma das cenas do espetáculo "Olhar do Outro" interpretado por Lumilan Noda vem chamando a atenção.
-GuguPortugal
Foto: GuguPortugal
Escola N. S. de Lourdes
Uma cena talvez simples, mas que quando feita em um espaço onde os que a prestigiam, são os mesmos que tem de seguir uma regra imposta pelo espaço onde estão inseridos. Ou seja, ter a sua frente uma cena em que o uso do Cigarro é necessário para a composição do texto e a performance é algo que deixa os alunos das escolas um tanto que atônicos, afinal, está ali um elemento até então proibido dentro do espaço escolar.
Mas passado a cena o murmúrio entre os que estão sentados segue sendo os mesmos, hora com tom de deboche pelo cheiro do cigarro, hora com tom de curiosidade sobre as possíveis aberturas que o teatro dá nos espaços onde são apresentados.
Contudo, é cabível relembrar a cena em que é projetado o vídeo da atriz Fernanda Montenegro em que a mesma deixa claro a importância de que para ser um ator tem de querer estar naquele local, sem viver de imaginações e desejos, mas sim saber reconhecer que nada será fácil.
Que mágica é esta que o teatro consegue em seus espectadores?
Talvez seja nestas ações que surgem os novos amantes do teatro, o olhar desafiador com aqueles que representam e daqueles que irão representar. Neste momento imagino que sim, muitos que estão iniciando nesta área se imaginam como atores de filmes, novelas, pensando somente na glória, Paetês, realização de desejos entre outras coisas...
Sobretudo, percebo que um simples elemento cênico é capaz de florar um desejo daqueles que observam toda a ação...
Que venham os novos artistas cênicos, e que o desejo não seja passageiro, mas sim algo que com a dificuldade fortaleça.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Apresentação do "Olhar do Outro" nas escolas
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| Trecho do espetáculo apresentado na escola Sylvia Mello |
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| Alunos da escola Sylvia Mello |
Hoje foi intenso as atividades do projeto, com duas apresentações do "Olhar do Outro" junto a oficina de "Cena e Vídeo". As escolas tinha características diferentes, mas com um interesse grande em recepção teatral. As escolas foram, Sylvia Mello e Nossa Senhora de Lurdes.
Oficina de vídeo e cena na escola Nossa Senhora de Lurdes
Estes contatos com os alunos vem motivando o projeto com futuros colegas na faculdade de teatro, dança e cinema, este aprendizado esta servindo de aproximação dos alunos das escolas com a faculdade em artes no geral.
Foto de "Mateus Armas", participante da oficina na escola Nossa Senhora de Lurdes
Foto de Gugu Portugal integrante do projeto
Foto de Gugu Portugal
Post Por Tatiana Duarte
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Apresentação do "Olhar do Outro" e oficina no Colégio Estadual Felix da Cunha
O projeto esta apresentando nas escolas de Pelotas suas pesquisas, levamos o espetáculo "Olhar do Outro" e oficina dos "Cena e Vídeo" o primeiro foi o Colégio Estadual Felix da Cunha.
A presente ação conta com um grupo de alunos do cinema, dança e teatro, em nossas pesquisas entendemo que a interdisciplinariedade da um suporte para educação tanto no meio escolar quanto no universitário por isso nosso aprofundamento em hibridizar as áreas.
Vídeo gravado pelo projeto sobre uma parte da oficina sobre a prática de cena e vídeo estimulando um criação para cena.
Post por Tatiana Duarte
segunda-feira, 24 de junho de 2013
A primeira entre as 10 apresentações a serem feitas
Enfim a primeira apresentação do Boca de Cena ocorrerá, e isto se dará nesta Terça-Feira - 25/06 - pela manhã na Escola Félix da Cunha. O trabalho intitulado Olhar do Outro servirá como um momento de troca direta com o aluno, já que após a apresentação o grupo dará oficinas aos alunos da escola.
Outras escolas também irão experienciar esta oportunidade, são elas:
Pedro Osório;
Cassiano do Nascimento;
Ginásio do Areal;
CAVG;
IF Sul;
MonSenhor de Queirox;
Escola Municipal Pelotense...
Podemos dizer que "enfim o ano começou"?
Talvez, mas como as atividades já vem sendo uma rotina na preparação de um novo espetáculo, seria melhor dizermos que enfim as apresentações começaram..
Esperamos que cada aluno e escola saiba aproveitar estas oportunidade, esperamos que seja enriquecedor e que possamos com este trabalho deixar uma pequena semente na cabeça de cada aluno.
GuguPortugal
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Serão dez apresentações do Olhar do Outro em escolas... uma delas no campo!
Uma das apresentações será no interior da cidade onde nasci (Herval), num lugar chamado Basílio, em frente a uma estação ferroviária antiga que não está mais em funcionamento. Fico pensando na atmosfera, nas intensidades que surgirão pelo fato de que será próximo do campo, bem como na atmosfera da nossa obra inspiradora A Gaivota, que também acontece no campo.
E a lua? será que estaremos em lua cheia? será que começaremos a peça exatamente as oito e meia quando a lua subir e estiver bem no meio? tudo isso me soa bonito.
Além disso, estaremos compartilhando a oficina "Corpos Projetados". Ela explora, ao mesmo tempo em que aproxima o espectador de o que foi o nosso trajeto para a construção do espetáculo, o hibridismo que aparece no Olhar do Outro e que é característico do Projeto Boca de Cena. Conexões entre vídeo, teatro e performance guiarão o nosso processo criativo.
Lumilan Noda
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Pensamentos e projeto
Hoje um dia frio e de folga, resolvi fazer um bolo de fubá com chocolate, com café bem quente. Junto com essa tarefas me lembrei que neste ano em nosso projeto teremos apresentações do "Olhar do Outro" nas escolas e oficinas, estou com muitas expectativas de como vai ser, mostar para aluno a nossa pesquisa.
Achei um link na net da revista "Bravo" que fala sobre Jerzy Grotowski, vale apena ler. Confiram então sobre:
Os dez mandamentos do teatro pobre;
1) É fazendo que se aprende
Depois do ator russo Constantin Stanislavski, ninguém mais explorou a natureza da arte do ator tão profundamente quanto Grotowski. Esta é a opinião do diretor de teatro inglês Peter Brook. O polonês priorizava a pesquisa. Seu objetivo deixou de ser o espetáculo. “Os ensinamentos dele iluminam meu trabalho artístico”, diz Celina Sodré, diretora da companhia carioca Studio Stanislavski. O encenador polonês, com quem ela teve contato nos anos 80, mudou sua vida. “Devo a ele praticamente tudo que sei sobre a arte do ator e da direção teatral.” Para Celina, o principal legado do diretor resume-se numa de suas frases: “O conhecimento é uma questão de fazer”.
2) Em cena, apenas o essencial
Nada de cenário, iluminação, trilha sonora, figurino ou qualquer outro artifício que não seja primordial à cena. O ator diante de seu espectador e ponto final. Principalmente na fase inicial de seu trabalho, assim devia ser o teatro segundo Grotowski, resumido na expressão “teatro pobre”. “Grotowski criou talvez o único teatro de vanguarda em que a pobreza não é um inconveniente. A falta de dinheiro não é uma desculpa para o emprego de meios inadequados, que sabotam experiências”, declara Peter Brook em Avec Grotowski (“Com Grotowski”, sem tradução no Brasil), livro em que relata sua convivência com o encenador polonês. Ao longo de sua trajetória, Grotowski reviu este conceito. “Mas seus estudos continuaram pautados pela essencialidade da cena”, afirma o principal seguidor do diretor, o norte-americano Thomas Richards, hoje à frente do Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards, centro de pesquisa e criação teatral fundado na Itália em 1986.
3) Livre-se de amarras físicas e psicológicas
Peter Brook costuma servir-se de uma parábola japonesa para definir a pesquisa de Grotowski. Conta a história de um monge cuja ambição era desenhar um círculo perfeito. Depois de praticar durante anos, escalar montanhas e recorrer a dois mestres em busca de uma solução, um sábio estende seu dedo sobre um pequeno nervo nas costas do monge e lhe diz: “Este é seu problema”. Segundo Brook, Grotowski consagrou a vida à procura da chave que liga o círculo perfeito ao pequeno nervo. “Ele buscava a relação entre as energias internas do corpo e suas expressões exteriores.” Thomas Richards destrincha mais didaticamente a pesquisa de seu mestre. “Um ator é seu próprio instrumento de trabalho”, diz. O ator só pode entregar-se inteiramente à cena depois de livrar-se de qualquer tipo de bloqueio, físico ou psicológico.
4) Torne visível o invisível
Grotowski é considerado místico e seu teatro tem fama de ser sagrado. Segundo Peter Brook, “o teatro de Grotowski é sagrado, pois seu objetivo é sagrado”. Em sua pesquisa, o diretor polonês se propõe a ultrapassar a comunicação racional. Ele não buscava a interpretação em cena, mas uma ação mais profunda e fundamental do que a emoção, algo que fosse tão vital quanto a própria vida. Ao evocarem cantos e danças ancestrais, alguns exercícios realizados por seus atores se assemelham a cerimônias ritualísticas. A equação divina, capaz de tornar visível o invisível, nada mais é do que a soma das energias mais primárias do ator, de sua entrega total em cena e das faíscas energéticas geradas por seu encontro com o espectador.
5) Seja verdadeiro no palco
Grotowski desenvolveu os estudos de Stanislavski sobre a arte do ator. Enquanto o diretor russo trabalhava com base em ações concretas, Grotowski buscava a força geradora destas ações, os movimentos não cotidianos, ligados a forças primitivas. Ele não estava interessado na técnica de um ator, mas na sua capacidade de transformar a representação teatral num ato verdadeiro. Para Thomas Richards, a chave reside em fazer do palco um campo de ação. “Não interprete, aja. As emoções reagem naturalmente às ações”, ensina. “Grotowski não pergunta como fazer, mas como liberar no corpo aquilo que o torna extremamente vivo, orgânico, potente e poético”, complementa o ator Renato Ferracini, integrante do Lume Teatro, grupo de Campinas cuja arte é influenciada pelos estudos do diretor polonês.
6) Menos forma e mais substância
Em 1986, durante um workshop de que Richards participou, Grotowski destacou uma das participantes pelo preciosíssimo (preciosismo?) de sua técnica. Dentre todos os que estudavam ali, ela era a que melhor sabia como estruturar uma cena. Segundo conta Richards, seus movimentos traduziam intenções de forma bastante clara. Ao término do workshop, Grotowski foi contra a inclusão da atriz no centro de estudos que ele dirigia. Concluiu que, apesar do talento raro, ela não fazia teatro para se desenvolver. Seu objetivo era brilhar em grandes espetáculos teatrais.
Para o diretor polonês, a técnica não era essencial. Ele via o teatro como veículo de busca espiritual.
7) Elimine a divisão entre palco e plateia
Grotowski foi revolucionário ao explodir os limites da cena, inserindo o espectador no ato criativo. O público deveria participar ativamente da montagem e, a cada criação, a relação palco-plateia precisava ser repensada. Em uma das mais célebres peças que o polonês dirigiu, Akropolis (1962), de Stanislaw Wyspianski, público e elenco se misturavam para encarnar prisioneiros de campo de concentração, confinados num crematório. “Grotowski fez com que o conceito de cenografia se ampliasse e se desconstruísse. O palco desapareceu e surgiu a ideia de uma sala vazia onde, a cada espetáculo, tudo é redimensionado”, explica Celina Sodré.
8) Quem conduz o movimento é o corpo, não a mente
Quando iniciou seus estudos com Grotowski, Richards se considerava o pior dos aprendizes. Tentava fazer cenas intensas na esperança de se sobressair. A relação com o mestre sofreu uma transformação quando, certo dia, o diretor observou seu andar em cena. “Ali havia organicidade”, disse-lhe o polonês. “Mas eu só estava andando de um lado pro outro”, respondeu Richards, então com pouco mais de 20 anos. “Você estava andando para alguém. Seu andar tinha intenção”, replicou o encenador. O discípulo de fato revisitava uma recordação. Tinha caminhado daquela forma quando, ainda criança, levou um presente ao seu pai no hospital. Compreendeu então o movimento natural do corpo. “A organicidade está quase sempre bloqueada por uma mente que tenta conduzir o movimento, dizendo ao corpo o que ele deve fazer e de que forma”, explica ele.
9) Não basta ser espectador, tem que participar
Grotowski queria retirar a plateia da posição de passividade e anonimato à qual estava habituada. Em A Sala de Estar, espetáculo criado por Thomas Richards com base na pesquisa do diretor polonês e que pode ser visto em São Paulo até dia 12, o espectador comporta-se como uma visita. Como o título da peça sugere, a obra se desenrola numa sala de estar. “Antes de ser convidado a entrar, o espectador recebe uma instrução: deve trazer algo para comer ou beber. Depois, age como se participasse de uma reunião entre amigos”, explica Richards. Acomoda-se em pufes e sofás e participa de uma espécie de cerimônia, na qual seis atores declamam textos evocando forças da natureza e entoam canções africanas e caribenhas. Assim, o espectador conquista sua individualidade em cena e contribui para o espetáculo com sua presença e com o fluxo de energia que troca com os intérpretes.
10) Abra-se para encontros reais
“Não se trata de instruir um aluno, mas de se abrir completamente para outra pessoa”. Assim Grotowski definia sua atuação como professor. Buscava o mesmo tipo de encontro entre ator e espectador. “Ele tinha uma capacidade rara de prestar atenção nas pessoas, de se entregar como ninguém”, explica ele, dando como exemplo o primeiro workshop que realizou com Grotowski. Na ocasião, depois de o grupo mostrar cenas nas quais estava trabalhando, o diretor chamou e conversou por cerca de quatro horas com cada ator. “Ele quis saber tudo sobre minha vida. Nunca fui entrevistado de maneira tão completa por ninguém.”
Post por Tatiana Duarte
sábado, 20 de abril de 2013
Olhar do Outro apresentou em POA
Nossa apresentação em POA no Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, foi surpreendente, pois com a chuva, as potencias na cena foram essenciais para a construção do ato performático. Primeiro dia da apresentação foi na Praça XV em frente ao mercado público, chuva forte até o fim do trabalho. Evoéeeeee!
Em Belém Novo/Praça Antônio Inácio da Silva com um público bem carismático.
terça-feira, 5 de março de 2013
Espetáculo "Olhar do Outro" selecionado para o 5° Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre!
O Olhar do Outro está entre os 19 grupos que se utilizarão dos espaços públicos da capital gaúcha como cenário no 5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, que acontecerá em abril. O grupo participará juntamente com companhias vindas da França e Espanha e também dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Ceará e Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Do espetáculo teatral atualmente fazem parte 6 integrantes do Projeto Boca de Cena (divididos entre elenco, equipe técnica e produção) além da diretora Alexandra Dias. O projeto Olhar do Outro está super feliz em participar deste evento.
Sobre a peça
Em cena, envolvidos pela atmosfera sensível e simbólica de “A Gaivota” há quatro atores que passam a revelar suas identificações com os personagens do livro de Tchekhov. Ao exporem suas próprias questões, os atores envolvidos neste trabalho permitem-se uma aproximação mais íntima com o texto. Desta forma, durante a peça há evidentes transições entre atores e personagens. Embora a dramaturgia traga para as cenas questões inerente à atividade do artista e, de certa forma, conduza o público à reflexão do que é ser ou “querer tornar-se” ator, ela ainda apresenta uma relação profunda entre as frustrações dos personagens de “A Gaivota” com as sutilezas emocionais que também fazem parte da realidade e do cotidiano dos atores envolvidos. Em “Olhar do Outro”, simbolicamente sonhos se apresentam através de projeções que revelam o sensível do artista.
Ficha técnica:
Direção: Alexandra Dias; Elenco: Ana Laura Barros Paiva, Juliano Bohn Gass, Lumilan Noda e Tatiana Duarte; Dramaturgia: O grupo a partir de “A Gaivota” de Anton Tchekhov, de Rubens Figueiredo e de “Os Filhos de Kennedy” de Robert Patrick; Concepção e operação de luz: Tatiana Sato; Cenário: Alexandra Dias; Figurino: O grupo e Larissa Martins; Costureira: Larissa Martins; Trilha sonora original e Vídeos: Thiago Rodeghiero.
Sobre a criação
"O projeto Olhar do Outro foi concebido como um trabalho de pesquisa que partiu de “A Gaivota” de Anton Tchekhov rumo a uma investigação de caráter interdisciplinar, buscando uma possível abordagem para a relação cena, cidade e vídeo-projeção. Neste trajeto, navegamos nas profundezas de Nina, Trepliov e Arkádina – figuras foco desta composição – o que nos conduziu a uma inevitável reflexão sobre a condição do artista."
"O espetáculo “Olhar do Outro” busca estabelecer a reflexão sobre aspectos interdisciplinares da criação em arte. Visa, portanto, problematizar o desejo das artes contemporâneas em diluir suas fronteiras. Desta forma, trata-se de uma proposta que foi gerada a partir de uma pesquisa interdisciplinar onde se pretendeu estudar as conexões entre o fazer teatral e o vídeo como suporte."
Confira a lista dos grupos selecionados:
5º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre
Post por Lumilan Noda
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Novidades para 2013 sobre Boca de Cena
O projeto Boca de Cena tem muitas novidades para 2013, dentre elas estão 10 apresentações do espetáculo “Olhar do Outro” em escolas do ensino médio. Junto a isso, vamos ministrar oficinas sobre vídeo e cena. Também vamos criar um novo “espetáculo”. Este ano de 2013 promete, com muita pesquisa e comprometimento de trabalho do grupo. A Alexandra Dias volta da licença em maio cheia de novidades e com vontade de nos intrigar com novas formas de pensar e atuar.
Frase de Feranada e de Gerald Thomas "O espetáculo começa ser trabalho a partir da estreia"
Post por Tatiana Duarte
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Vídeo Performance
Vídeo que foi pensado para a cena, um dos experimentos do Olhar do Outro.
Concepção artística:
Alexandra Dias, Lumilan Noda, Tatiana Duarte e Thiago Rodeghiero
Montagem:
Tatiana Duarte
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Olhar do Outro: inscrições em editais
O projeto está reunido para se inscrever em editais. Focado no trabalho sem perder o bom humor. Evoé para esse ano.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Olhar do Outro no Mercosul Multicultural
Hoje, dia 14 de dezembro, às 22 horas, terá uma apresentação do espetáculo Olhar do Outro no prédio da antiga fábrica da Brahma.
Essa apresentação faz parte do evento "A Cultura Pede Passagem - Mercosul Multicultural", que terá início às 20h30 e contará com atrações como Grupo de Flauta Doce, ações, projeções, intervenções de graffiti e muito mais. A entrada é franca.
Ficha técnica:
Direção: Alexandra Dias;
Elenco: Ana Laura Barros Paiva, Juliano Bohn Gass, Lumilan Noda e Tatiana Duarte;
Dramaturgia: O grupo a partir de "A Gaivota" de Anton Tchekhov, de Rubens Figueiredo e de "Os Filhos de Kennedy" de Robert Patrick;
Concepção e operação de luz: Tatiana Sato;
Cenário: Alexandra Dias;
Figurino: O grupo e Larissa Martins;
Costureira: Larissa Martins;
Trilha sonora original e Vídeos: Thiago Rodeghiero.
Ficha técnica:
Direção: Alexandra Dias;
Elenco: Ana Laura Barros Paiva, Juliano Bohn Gass, Lumilan Noda e Tatiana Duarte;
Dramaturgia: O grupo a partir de "A Gaivota" de Anton Tchekhov, de Rubens Figueiredo e de "Os Filhos de Kennedy" de Robert Patrick;
Concepção e operação de luz: Tatiana Sato;
Cenário: Alexandra Dias;
Figurino: O grupo e Larissa Martins;
Costureira: Larissa Martins;
Trilha sonora original e Vídeos: Thiago Rodeghiero.
Mercosul Multicultural
Local: Complexo da antiga fábrica da Brahma, Rua Benjamin Constant, 1071
Horário: a partir das 20h30
Entrada franca
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Teaser "Olhar do Outro"
Mais um teaser do espetáculo Olhar do Outro que será apresentado no prédio da antiga fábrica da Brahma.
Blog do Olhar do Outro
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Cancelado o evento "A cultura pede passagem" e com isso a apresentação do Olhar do Outro
Em virtude do mau tempo foi cancelado o evento "A cultura pede passagem" - Mercosul Multicultural com complexo da antiga cervejaria sul-rio-grandense (Prédio da Brahma), que seria realizado no dia 07/12/2012, onde o projeto Olhar do Outro iria apresentar. Pedimos mil desculpas
No Complexo da antiga cervejaria sul-riograndense, vai haver exposições, teatro, dança, canto, grafiti, esculturas, gravuras e fotografia. No dia 07 de dezembro de 2012 as 20h.
Para quem gosta de arte esse evento será um presente, pois todas as áreas em artes estarão dialogando no mesmo espaço.
Quem esta organizando e encabeçando os projetos a serem exposto é o Prof. José Luiz de Pellegrin (Diretor DART)
Neste evento o projeto Boca de Cena leva o espetáculo "Olhar do Outro", com apoio da UFPel, Núcleo de Artes Cênica, Projeto Max e Epílogo Filmes.
Mais informações sobre este espetáculo e projeto: projetoolhardooutro.blogspot.com
Post por Tatiana Duarte
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