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domingo, 24 de junho de 2012

Impressões sobre o Tatá em Piratini: Primeira vez

   Para a produção do documentário sobre o Projeto Tatá, meu foco observativo é sobre a primeira vez, seja dos bailarinos, seja da diretora do espetáculo.
   Em Piratini não pude observar a questão da primeira vez dos membros do grupo se apresentando, pois foi em Porto Alegre que muitos se apresentaram pela primeira vez, mas na entrevista realizada pelo Boca de Cena, notamos que os membros sentem essa questão bem forte, pois além da primeira apresentação pelo Tatá há a responsabilidade de fazê-la da melhor maneira para não prejudicar o grupo.


   Ainda dentro do meu foco observativo, pude levantar outros pontos dentro do espetáculo. Originalmente, o espetáculo tinha uma formação de bailarinos muito diferente da apresentada atualmente, isso deve-se ao fato de membros acabarem se machucando e sendo necessário substituí-los. Devido a isso, pude notar que alguns dos bailarinos escolhidos para fazerem  a substituição ainda não adquiriram a confiança necessária na hora da apresentação, até mesmo porque eles tiveram pouco tempo para prepararem o novo personagem, além de terem que decorar uma nova coreografia e assumirem uma nova responsabilidade.


   Essas observações foram levantadas a partir da apresentação em Piratini, no entanto, devido ao acompanhamento direto que temos feito do grupo, principalmente nas escolas, notei que o Tatá tem que fazer alterações e adaptações em toda nova apresentação, seja em decorrência do espaço, seja em decorrência do bailarinos, por isso é possível notal que em certos momentos os bailarinos perdem o ritmo do espetáculo e estão inseguros quanto ao local da apresetação.


   Trato toda apresentação do Tatá como uma primeira vez, porque a cada novo evento eles têm que encarar novos espaços, público diferente, além disso o estado emocional dos integrantes do grupo também varia muito, mas é possível notar um avanço na apresentações, principalmente no quesito evolução dos membros do grupo, digo isso pois, a partir do primeiro ensaio que vi e da última apresentação que assisti, puder notar uma clara evolução dos bailarinos, que cada vez mais vão entrando no personagem e espetáculo.

Postado por Tatiana Sato

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O “Estar Longe de Casa” Impresso nos Sentimentos do Bailarino


Cá estou dentro deste contexto de pesquisa, juntamente com meus colegas do Boca de Cena, querendo resultar na criação conjunta de um documentário sobre o grupo de dança-teatro Tatá Dança Simões. Bom, o que este documentário irá abranger é exatamente o que temos pesquisado. Decidimos, para isso, dividir os nossos olhares, tornando-os mais específicos de forma que cada integrante do Boca de Cena estivesse responsável por observar alguma peculiaridade no Tatá.

Meu foco está em perceber como os artistas se sentem com relação a estarem longe de suas casas, uma vez que grande parte dos atores-bailarinos do Tatá são de outras cidades do Rio Grande do Sul ou até mesmo de fora do estado. Na última apresentação do grupo, realizada no CTG Vinte de Setembro, em Piratini, foi espontânea a forma como percebi dois integrantes, alunos do curso de teatro, conversando sobre estarem hoje em Pelotas, distantes das suas casas, das suas cidades, da família e de amigos. Nisso, uma integrante do grupo perguntou ao seu colega se ele gosta da cidade de Pelotas. "Gosto dos amigos que fiz em Pelotas", foi a resposta dele. 


E essa foi a primeira anotação/percepção que fiz referente a esta pesquisa das sensações de estar em um novo lugar, num novo contexto e com outras pessoas e relações. O processo de eu estar percebendo os artistas do grupo dentro dessa perspectiva faz com que eu fique mais atento as relações espontâneas que surgem entre eles, muita coisa interessante para o documentário começa a nascer a partir daí.

Fotos: Ana Laura Paiva
Postagem: Lumilan Noda

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Tatá Danã Simões: relação pessoal com a obra

-Gessi e sua partitura.


   No projeto dança-teatro o grupo Tatá Dança Simões se coloca de uma forma bem particular com a obra, irei focar a relação da bailarina Gessi, pois ela já havia me reatado a experiência com o preconceito quando criança, ela tem um envolvimento muito forte no trabalho.
   Gessi criou uma partitura orgânica em sua dança, e a coordenadora Maria Falkembach, coreografa da obra, com a sensibilidade de lapidar as experimentações da bailarina, colocou-as no contexto atual, e os sentimentos que a participante sentia  quando criança na escola, por causa de sua cor e seu cabelo, tendo que ficar escondida.

   Acompanhei o grupo em Piratini, e junto com o pessoal, eu me detive a observar a Gessi em sua concentração e o nervosismo anterior a entrada na cena. O ritual que se instaura no preparo antes da cena,  onde ela faz a defumação, tem toda uma carga de emoção e intimidade com o conto do negrinho do pastoreio. Ela brinca e comenta que o próprio negrinho entra e cena e apaga a vela. Vejo a força de símbolos presente em suas imagens em cada quadro.

   A identificação de alguns espetadores com relação ao preconceito para  mim  foi muito importante, pois relataram que ainda havia esse preconceito na própria cidade, e o quanto foi emocionante para a população ter uma visão critica sobre  o assunto ali abordado de forma poética, vendo também, um forte trabalho de grupo.

Post por Tatiana Duarte