Nas últimas semanas tenho percebido a correria do semestre e dos projetos paralelos a universidade. Há uma semana atrás, por exemplo, eu estive em Montevidéu, Uruguay.
Fui como integrante de um outro projeto também vinculado a Ufpel, o "Nals", núcleo de arte, linguagem e subjetividade. Lá apresentamos um "taller" que é uma oficina, sobre "Tramas do sensível"- "A reta é o caminho mais chato entre dois pontos"(Veríssimo, 73).
Buscamos por esse caminho o "entre-lugar", dessa maneira utilizamos atílios (borrachinhas) e ao som de supapo, celestina (o instrumento que está nas minhas mãos na foto acima) e flautas uruguayas e bolivianas, começamos a construir nossa grande trama.
Voltei dessa viagem maravilhosa com muitos sentimentos acesos em mim e com foco que "nosso norte é o sul". Toda a latinidade, a história de nossos índios e escravos que na verdade "não é contada na história". Por exemplo, aqui na cidade de Pelotas temos os grandes casarões que são praticamente louvados. Tudo que se quer por aqui é conservá-los.
Mas eu pergunto, a história de Pelotas é contada debaixo ou de cima da terra? Pois, é debaixo dos casarões, nos porões que viviam nossos negros, escondidos nos escombros.
É lógico que essas reflexões vão muito além do que aqui escrevo. Mas pode ser um começo, uma alerta para a nossa verdadeira história.
Para terminar não poderia deixar de falar no Candombe - a cultura dos tambores afro que o povo uruguaio se encarrega de mantê-lo vivo de geração em geração com muita competência.
(...Aquelas mãos calejadas de trabalho e de tambor, não mais me esquecerei).
O contato com o candombe toca ao coração através do sensível, do audível. Emoções inesquecíveis.
!Muchas gracias por todo!
Postado por Tai Fernandes


